Eles vêm em
todos os formatos, baixinhos, gordinhos, carecas, altos, magrelos,
envelhecidos, juvenis, uns tem a cara do demo, outros sorriem como anjos, tem
os mal vestidos e os que usam Zegna para se aproximar do povo.
Falam alto,
são imponentes, parecem homens de respeito, mas ao fim das sessões, descem de
seus púlpitos honrados para cochichar como criancinhas marotas seus esquemas de
milhões. Uns dominam a retórica política com a desenvoltura estudada, outros
aparecem lá sem qualquer estudo.
Eticamente,
é um time coeso, a maioria tem o mesmo pensamento embotado, transviado,
travestido de uma inteligência curta, oportunista, sorrateira, imediatista. São
cegos para suas funções, carentes de ideologia e tem o senso de justiça vesgo,
não percebem como seu egoísmo gatuno transformou o Brasil num acampamento, num
amontoado tropical asfaltado.
Para eles
não existe o conceito de nação, de união, são verdadeiros apátridas, não gastam
suor para fazer do Brasil um Estado rico por igual, um lugar justo, moderno, planejado, são cupins vestidos de abelhas, que recebem para devorar o
próprio meio em que vivem.
Trazem ainda
no sangue o gene extrativista português, o gene da burrice, que tão bem os
ensinou a drenar o próprio ouro até entupir seus bolsos de fundos falsos e
esvaziar o país de credibilidade e auto-estima. Gargalham, cantam, sambam,
enquanto o povo joga suas minguadas moedas para eles continuarem seu show de
barbaridades.
Ainda não
perceberam, coitados, que pensar para o coletivo, deixando o rio do dinheiro público
seguir seu curso natural também vai beneficiar suas barrigas de champagne e
camarão de vez em quando. Sua curta
imaginação não dá conta de vislumbrar um Brasil possível, onde os professores
são bem pagos, onde as crianças realmente aprendem nas escolas, onde os
hospitais funcionam sem filas, um país livre de favelas, de injustiças brutais,
livre dessa guerra urbana, do medo, das janelas do carro fechadas no verão, um lugar
onde no breu dos becos não brota mais a violência, mas floresce a cultura, a
arte, o talento.
Infelizmente,
no Brasil a palavra “político” está diretamente associada a palavra “corrupção”,
assim como goiabada e queijo, arroz e feijão, sol e céu. Mas não deveria ser
assim. Na Alemanha com certeza não é, nem na Suécia ou na Holanda, nem em
tantas outras fronteiras. O Brasil só vai mudar quando ousar ser uma Alemanha,
uma Suécia, uma Holanda. E por que não? Somos todos homo sapiens, da mesma
espécie e com a mesma capacidade cerebral. Podemos, em pequenas ações, ser
cidadãos melhores, votando melhor, direcionando nossa reclamação para os órgãos
responsáveis e dando exemplo para quem ainda não enxerga que tem
responsabilidade na construção do país que quer viver. Temos que mudar já,
porque nossos filhos serão os honestos ou desonestos no comando no Brasil do
futuro.
Que os
raros bons políticos brasileiros continuem bons, e que os maus aprendam a amar seu país além de beijinhos e
abraços de palanque, além de seus discursos calorosamente hipócritas. Que a
palavra “político” seja enfim associada à ética, à idoneidade, à justiça, à
seriedade, à competência e principalmente: à ordem e à progresso. Vai Brasil!
chorei!
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