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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

15 de novembro. Sacuda seu lenço e vamos todos chorar.




Eles vêm em todos os formatos, baixinhos, gordinhos, carecas, altos, magrelos, envelhecidos, juvenis, uns tem a cara do demo, outros sorriem como anjos, tem os mal vestidos e os que usam Zegna para se aproximar do povo.

Falam alto, são imponentes, parecem homens de respeito, mas ao fim das sessões, descem de seus púlpitos honrados para cochichar como criancinhas marotas seus esquemas de milhões. Uns dominam a retórica política com a desenvoltura estudada, outros aparecem lá sem qualquer estudo.
Eticamente, é um time coeso, a maioria tem o mesmo pensamento embotado, transviado, travestido de uma inteligência curta, oportunista, sorrateira, imediatista. São cegos para suas funções, carentes de ideologia e tem o senso de justiça vesgo, não percebem como seu egoísmo gatuno transformou o Brasil num acampamento, num amontoado tropical asfaltado.

Para eles não existe o conceito de nação, de união, são verdadeiros apátridas, não gastam suor para fazer do Brasil um Estado rico por igual, um lugar justo, moderno, planejado, são cupins vestidos de abelhas, que recebem para devorar o próprio meio em que vivem.

Trazem ainda no sangue o gene extrativista português, o gene da burrice, que tão bem os ensinou a drenar o próprio ouro até entupir seus bolsos de fundos falsos e esvaziar o país de credibilidade e auto-estima. Gargalham, cantam, sambam, enquanto o povo joga suas minguadas moedas para eles continuarem seu show de barbaridades.

Ainda não perceberam, coitados, que pensar para o coletivo, deixando o rio do dinheiro público seguir seu curso natural também vai beneficiar suas barrigas de champagne e camarão de vez em quando.  Sua curta imaginação não dá conta de vislumbrar um Brasil possível, onde os professores são bem pagos, onde as crianças realmente aprendem nas escolas, onde os hospitais funcionam sem filas, um país livre de favelas, de injustiças brutais, livre dessa guerra urbana, do medo, das janelas do carro fechadas no verão, um lugar onde no breu dos becos não brota mais a violência, mas floresce a cultura, a arte, o talento.

Infelizmente, no Brasil a palavra “político” está diretamente associada a palavra “corrupção”, assim como goiabada e queijo, arroz e feijão, sol e céu. Mas não deveria ser assim. Na Alemanha com certeza não é, nem na Suécia ou na Holanda, nem em tantas outras fronteiras. O Brasil só vai mudar quando ousar ser uma Alemanha, uma Suécia, uma Holanda. E por que não? Somos todos homo sapiens, da mesma espécie e com a mesma capacidade cerebral. Podemos, em pequenas ações, ser cidadãos melhores, votando melhor, direcionando nossa reclamação para os órgãos responsáveis e dando exemplo para quem ainda não enxerga que tem responsabilidade na construção do país que quer viver. Temos que mudar já, porque nossos filhos serão os honestos ou desonestos no comando no Brasil do futuro.

Que os raros bons políticos brasileiros continuem bons, e que os maus  aprendam a amar seu país além de beijinhos e abraços de palanque, além de seus discursos calorosamente hipócritas. Que a palavra “político” seja enfim associada à ética, à idoneidade, à justiça, à seriedade, à competência e principalmente: à ordem e à progresso. Vai Brasil!

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